E a IA finalmente virou PowerPoint

jul 13,2026
por Jair Tavares
E a IA finalmente virou PowerPoint

Da euforia à última linha do balanço: a IA entra na fase em que precisa provar valor.

Nas reuniões de board deste ano, ninguém mais quer saber qual “modelo estamos usando” ou “quantos agentes foram criados” na última semana. A exigência agora é: onde estão as melhorias no resultado?

É, Sam Altman e trupe, a IA está correndo um sério risco de virar PowerPoint: ajuda muito, requer talentos específicos, mas é absolutamente marginal para os negócios. O risco é se tornar mais uma aplicação (cara) entre várias outras dentro da empresa.

Mesmo se tornando uma realidade totalmente irreversível na operação, agora é preciso justificar o investimento de maneira pragmática.

Essa transição de pensamento explica por que os números de mercado parecem contraditórios. No 29th Global CEO Survey, a  PwC reportou que apenas 12% das empresas conseguiram aumentar receita e cortar custos com IA ao mesmo tempo. Além disso, mais da metade dos CEOs ainda não vê benefício concreto no dinheiro investido.

Mas calma: isso não é sinal de fracasso, é sinal de maturidade. O mercado cansou do discurso de upscale de tecnologia e começou a cobrar a última linha do balanço – porque o “almoço nunca é de graça”.

Quem está ganhando esse jogo entendeu que o segredo é a hiperconcentração. Os dados da McKinsey mostram que as empresas que capturam valor real não tentam aplicar IA em tudo: escolhem dois ou três domínios estratégicos e focam ali. O resultado aparece depois de um ou dois anos de maturação, com retornos que chegam a US$ 3 para cada US$ 1 investido.

O grande aprendizado do momento é que não vence quem usa mais tecnologia, mas quem escolhe melhor onde colocá-la, planejando estratégica e taticamente a sua implementação.

O erro atual de muitas lideranças é continuar medindo o sucesso por métricas de vaidade. Quantidade de prompts, número de usuários na plataforma ou volume de licenças ativas são dados operacionais que importam para a TI, não para o negócio. Se o EBITDA não se move, se o CAC continua igual, se o ciclo de vendas não encurta e o churn não cai, a IA continua sendo apenas um laboratório de inovação caro. O board compra impacto, não ferramentas.

Saímos da primeira geração da IA corporativa, movida pelo fascínio e pelo medo de ficar para trás. A segunda onda pertence à governança, à qualidade dos dados e à integração real aos processos core da empresa.

Em pouco tempo, dizer que uma empresa usa Inteligência Artificial vai soar tão óbvio quanto dizer que ela usa a internet ou o pacote Office. Deixará de ser vantagem competitiva para virar infraestrutura básica de sobrevivência.

Quando a tecnologia vira commodity, o diferencial volta a ser o clássico de sempre: quem tem a melhor estratégia e quem executa melhor na prática.

E executar de maneira eficiente, nesse cenário, significa menos ferramentas e mais interpretação e raciocínio crítico: transformar dados em decisões de negócios, e negócios em posicionamento reconhecido pelo mercado. É nesse ponto de encontro, entre estratégia de marca, comunicação e inteligência de dados, que a Pólvora atua. Nossa metodologia end-to-end existe para isso: conectar a adoção tecnológica com narrativa de marca, posicionamento, comunicação estratégica e geração de demanda, especialmente em mercados de alta complexidade, onde o hype some rápido e sobra só quem entrega resultado.